Para quem gosta de Ibsen, e para quem também não curte muito, mas adora teatro: "Hedda Glaber", no teatro Santa Isabel, Recife, dias 28 e 29/12, 21 hs, R$ 10 R$ 5. Informações (Teatro Santa Isabel): 3232-2940.
A direção é de Walter Lima Jr. (sim, o cineasta), com Virgínia Cavendish como protagonista. A peça (tradução de Rubem Fonseca), de 1890, é do norueguês Henrik Ibsen (lugar comum: conhecido como o pai do teatro moderno; algumas informações sobre ele: http://www.noruega.org.br/culture/literature/drama/drama.htm).
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
"A carreira de Suzanne" - Rohmer

Filme de Eric Rohmer, "A carreira de Suzanne" ("La Carriere de Suzanne"), de 1963, com Christian Charriere, Catherine Sée e Philippe Beuzen; foi o segundo longa de uma série de seis "contos morais", idealizada por Rohmer.
A história se passa em Paris e envolve dois amigos que vivem nessa cidade: Bertrand e Guillaume. O primeiro é estudante e vive em uma pensão, tímido, admira o amigo Guillaume, que sempre faz sucesso entre as mulheres e tem por prazer conquistá-las, delas se aproveitando e depois as largando, perdidamente apaixonadas. Bertrand acompanha todas as aventuras do seu amigo, sem delas participar e despreza, intimamente, as conquistas (os objetos da conquistas) do amigo, por considerar essas mulheres como volúveis e tolas. Até que surge Suzanne, que entra no memso jogo de Guillaume, até que, a conquista (talvez menos objeto) não parece tão boba.
A história assim, mal resumida, parece tola, mas não é, muito menos estereotipada, apesar do lugar comum da história principal. A fotografia é incomum, ao menos para o cinema comercial da época, o que nos chama a atenção; e as interpretações parecem ingênuas, principalmente a da atriz que faz Suzanne, impressão que deixa de existir ao longo do desenvolvimento da história.
Mas o mais interessante no filme é a forma como ele é contado. Tudo passa pelo julgamento e as concepções de Bertrand, narrador do filme. Ele não toma parte da maioria das ações, contudo é a presença marcante do filme, que nos revela seus preconceitos, idéias, dúvidas, ou seja, a vida de um estudante em um determinado momento da sua vida a partir da exposição de seu pensamento, entrevisto na narração do personagem durante toda a história. É o famoso narrador-personagem, que não é, a princípio (apenas a princípio), o protagonista.
"A carreira de Suzanne" cumpre o papel de um conto moral, mas supera os estereótipos de uma história comum e querida no cinema daquela (ou a partir daquela) época ("Os cafajestes", que de igual modo supera qualquer estereótipo; o cinema francês etc), bem como dá ao gênero (se isso for um gênero) conto moral, um tratamento estético inovador.
sábado, 15 de dezembro de 2007
"Angélica", peça de Lúcio Cardoso
"Angélica", de Lúcio Cardoso, e pela primeira vez publicada no livro da editora UFPR, como falei na postagem anterior, estreou em 1950, sob a direção do próprio Lúcio Cardoso, tendo entre os atores Luiza Barreto Leite (só para se ter uma idéia, essa atriz, conforme Ruy Castro, atuou nas montagens originais de: "Vestido de Noiva", "Dorotéia", "A falecida", "Bonitinha, mas ordinária", todas de Nelson Rodrigues, que dizia que ela era incapaz tomar um copo de água sem paixão), que fez a protagonista.
Essa peça tem uma estória muito interessante e uma personagem, Angélica, fantástica, mas a ação é truncada, não é natural, os diálogos não são bons, sob o ponto de vista da encenação teatral. A impressão é que uma adaptação transformaria o texto em uma peça emocionante, porque como ele se apresenta, o texto, vemos antes uma obra literária mais próxima da novela do que da dramaturgia. Os dálogos não são naturais, são estáticos, parecem não fluir com naturalidade, e isso não é produto de um teatro que se quer denso ou desejoso em demonstrar a incomunicabilidade entre os personagens.
A estória, entretanto, como falamos, é emocionante, e se esquecermos que se trata, a princípio, de uma peça de teatro, podemos deixar de lado as falhas do autor em estabelecer a ação e vermos tudo como se fosse uma novela dialogada, acho que é possível.
Tudo se passa na casa de Angélica, numa cidade do interior, uma mulher de meia idade, muito rica e que vive cercada por dois empregados: Joana e Leôncio, este é um parente distante. Angélica tem o hábito de levar pra sua casa jovens moças órfãs, bonitas, mas muito debilitadas. Três dessas moças já morreram em sua casa, por conta, todas elas, de uma doença não diagnosticada e que faz com que suas enfermas acabem muito mal, feias, deformadas. Enquanto isso, Angélica continua cada vez mais bonita e jovem. Até que chega Lídia, outra moça para ser cuidada. entretanto, a estória vai ganhar outros contornos e Angélica terá em Leôncio um adversário.
Vocês pensaram em "O retrato de Dorian Gray"? É mais do que possível, mas aqui essa idéia é construída de outra maneira, até mais interessante, mas não tem um desenvolvimento tão bom quanto o dado por Oscar Wilde à sua estória. Talvez o problema foi ter pensado Lúcio Cardoso em fazer de "Angélica" uma peça, pois seu talento na prosa é superior.
Essa peça tem uma estória muito interessante e uma personagem, Angélica, fantástica, mas a ação é truncada, não é natural, os diálogos não são bons, sob o ponto de vista da encenação teatral. A impressão é que uma adaptação transformaria o texto em uma peça emocionante, porque como ele se apresenta, o texto, vemos antes uma obra literária mais próxima da novela do que da dramaturgia. Os dálogos não são naturais, são estáticos, parecem não fluir com naturalidade, e isso não é produto de um teatro que se quer denso ou desejoso em demonstrar a incomunicabilidade entre os personagens.
A estória, entretanto, como falamos, é emocionante, e se esquecermos que se trata, a princípio, de uma peça de teatro, podemos deixar de lado as falhas do autor em estabelecer a ação e vermos tudo como se fosse uma novela dialogada, acho que é possível.
Tudo se passa na casa de Angélica, numa cidade do interior, uma mulher de meia idade, muito rica e que vive cercada por dois empregados: Joana e Leôncio, este é um parente distante. Angélica tem o hábito de levar pra sua casa jovens moças órfãs, bonitas, mas muito debilitadas. Três dessas moças já morreram em sua casa, por conta, todas elas, de uma doença não diagnosticada e que faz com que suas enfermas acabem muito mal, feias, deformadas. Enquanto isso, Angélica continua cada vez mais bonita e jovem. Até que chega Lídia, outra moça para ser cuidada. entretanto, a estória vai ganhar outros contornos e Angélica terá em Leôncio um adversário.
Vocês pensaram em "O retrato de Dorian Gray"? É mais do que possível, mas aqui essa idéia é construída de outra maneira, até mais interessante, mas não tem um desenvolvimento tão bom quanto o dado por Oscar Wilde à sua estória. Talvez o problema foi ter pensado Lúcio Cardoso em fazer de "Angélica" uma peça, pois seu talento na prosa é superior.
O teatro de Lúcio Cardoso
Lúcio Cardoso (1912-1968), romancista primeiramente visto com indiferença, mas agora valorizado, com toda a justiça, basta ler "Crônica da casa assassinada" (1959) para se ter uma idéia do seu talento, ganhou uma edição com todas as suas peças teatrais.
Sim, Lúcio Cardoso também foi dramaturgo, bem como diretor de teatro, mas em ambas as situações não teve sucesso. O pr[oprio Lúcio admitia que não gostava de suas peças, e quando gostava, detestava as montagens, que não foram muitas.
As peças não só foram pouco montadas, como nunca foram publicadas em todo seu conjunto. Na verdade, só "O escravo" (edições de 1945; 1973) e "O filho pródigo" (edição de 1961) foram publicadas, todas as demais jamais estiveram disponíveis em livro, e algumas, até, nunca foram montadas, como "Os desaparecidos", "Prometeu Libertado", "Auto de Natal", as duas últimas possuem um só ato.
Diante de tudo isso, podemos ver a importância da edição, de 2006, da Editora UFPR, sob o título "Teatro reunido - Lúcio Cardoso", com posfácio muito interessante de Antonio Arnoni Prado. Essa obra reuniu pela primeira vez todas as peças de Lúcio Cardoso, que estava em seu arquivo (Arquivo Lúcio Cardoso) na "Casa de Rui Barbosa". No total, são seis peças em três atos: "O escravo" (encenada em 1943); "O Filho Pródigo" (montada em 1947); "A corda de prata" (1947); "Angélica" (1950); "O Homem Pálido" (1961); "Os Desaparecidos". E duas peças em um ato: "Prometeu Libertado"; "Auto de Natal".
Vale a pena para quem gosta de Lúcio Cardoso e para quem se interessa por teatro.
Só um porém, não se pode esperar do teatro de Lúcio Cardoso a mesma genialidade de seus romances ou novelas.
Sim, Lúcio Cardoso também foi dramaturgo, bem como diretor de teatro, mas em ambas as situações não teve sucesso. O pr[oprio Lúcio admitia que não gostava de suas peças, e quando gostava, detestava as montagens, que não foram muitas.
As peças não só foram pouco montadas, como nunca foram publicadas em todo seu conjunto. Na verdade, só "O escravo" (edições de 1945; 1973) e "O filho pródigo" (edição de 1961) foram publicadas, todas as demais jamais estiveram disponíveis em livro, e algumas, até, nunca foram montadas, como "Os desaparecidos", "Prometeu Libertado", "Auto de Natal", as duas últimas possuem um só ato.
Diante de tudo isso, podemos ver a importância da edição, de 2006, da Editora UFPR, sob o título "Teatro reunido - Lúcio Cardoso", com posfácio muito interessante de Antonio Arnoni Prado. Essa obra reuniu pela primeira vez todas as peças de Lúcio Cardoso, que estava em seu arquivo (Arquivo Lúcio Cardoso) na "Casa de Rui Barbosa". No total, são seis peças em três atos: "O escravo" (encenada em 1943); "O Filho Pródigo" (montada em 1947); "A corda de prata" (1947); "Angélica" (1950); "O Homem Pálido" (1961); "Os Desaparecidos". E duas peças em um ato: "Prometeu Libertado"; "Auto de Natal".
Vale a pena para quem gosta de Lúcio Cardoso e para quem se interessa por teatro.
Só um porém, não se pode esperar do teatro de Lúcio Cardoso a mesma genialidade de seus romances ou novelas.
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