
Filme de Eric Rohmer, "A carreira de Suzanne" ("La Carriere de Suzanne"), de 1963, com Christian Charriere, Catherine Sée e Philippe Beuzen; foi o segundo longa de uma série de seis "contos morais", idealizada por Rohmer.
A história se passa em Paris e envolve dois amigos que vivem nessa cidade: Bertrand e Guillaume. O primeiro é estudante e vive em uma pensão, tímido, admira o amigo Guillaume, que sempre faz sucesso entre as mulheres e tem por prazer conquistá-las, delas se aproveitando e depois as largando, perdidamente apaixonadas. Bertrand acompanha todas as aventuras do seu amigo, sem delas participar e despreza, intimamente, as conquistas (os objetos da conquistas) do amigo, por considerar essas mulheres como volúveis e tolas. Até que surge Suzanne, que entra no memso jogo de Guillaume, até que, a conquista (talvez menos objeto) não parece tão boba.
A história assim, mal resumida, parece tola, mas não é, muito menos estereotipada, apesar do lugar comum da história principal. A fotografia é incomum, ao menos para o cinema comercial da época, o que nos chama a atenção; e as interpretações parecem ingênuas, principalmente a da atriz que faz Suzanne, impressão que deixa de existir ao longo do desenvolvimento da história.
Mas o mais interessante no filme é a forma como ele é contado. Tudo passa pelo julgamento e as concepções de Bertrand, narrador do filme. Ele não toma parte da maioria das ações, contudo é a presença marcante do filme, que nos revela seus preconceitos, idéias, dúvidas, ou seja, a vida de um estudante em um determinado momento da sua vida a partir da exposição de seu pensamento, entrevisto na narração do personagem durante toda a história. É o famoso narrador-personagem, que não é, a princípio (apenas a princípio), o protagonista.
"A carreira de Suzanne" cumpre o papel de um conto moral, mas supera os estereótipos de uma história comum e querida no cinema daquela (ou a partir daquela) época ("Os cafajestes", que de igual modo supera qualquer estereótipo; o cinema francês etc), bem como dá ao gênero (se isso for um gênero) conto moral, um tratamento estético inovador.

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