quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Paulo Autran e Manuel Bandeira

Dica: Este poema de Manuel Bandeira, que já é ótimo, ficou ainda mais bonito na voz de Paulo Autran. Esta é uma forma de homenagear Paulo Autran.
O áudio pode ser baixado pelo e-Mule, é fácil.

Ah, esse blog vai ficar meio parado por um mês, por motivos alheios à sua vontade, são motivos de força menor do seu autor.

TESTAMENTO (Manuel Bandeira)

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

Nenhum comentário: