quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

"Hedda Gabler" no Santa Isabel

Para quem gosta de Ibsen, e para quem também não curte muito, mas adora teatro: "Hedda Glaber", no teatro Santa Isabel, Recife, dias 28 e 29/12, 21 hs, R$ 10 R$ 5. Informações (Teatro Santa Isabel): 3232-2940.
A direção é de Walter Lima Jr. (sim, o cineasta), com Virgínia Cavendish como protagonista. A peça (tradução de Rubem Fonseca), de 1890, é do norueguês Henrik Ibsen (lugar comum: conhecido como o pai do teatro moderno; algumas informações sobre ele: http://www.noruega.org.br/culture/literature/drama/drama.htm).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

"A carreira de Suzanne" - Rohmer


Filme de Eric Rohmer, "A carreira de Suzanne" ("La Carriere de Suzanne"), de 1963, com Christian Charriere, Catherine Sée e Philippe Beuzen; foi o segundo longa de uma série de seis "contos morais", idealizada por Rohmer.
A história se passa em Paris e envolve dois amigos que vivem nessa cidade: Bertrand e Guillaume. O primeiro é estudante e vive em uma pensão, tímido, admira o amigo Guillaume, que sempre faz sucesso entre as mulheres e tem por prazer conquistá-las, delas se aproveitando e depois as largando, perdidamente apaixonadas. Bertrand acompanha todas as aventuras do seu amigo, sem delas participar e despreza, intimamente, as conquistas (os objetos da conquistas) do amigo, por considerar essas mulheres como volúveis e tolas. Até que surge Suzanne, que entra no memso jogo de Guillaume, até que, a conquista (talvez menos objeto) não parece tão boba.

A história assim, mal resumida, parece tola, mas não é, muito menos estereotipada, apesar do lugar comum da história principal. A fotografia é incomum, ao menos para o cinema comercial da época, o que nos chama a atenção; e as interpretações parecem ingênuas, principalmente a da atriz que faz Suzanne, impressão que deixa de existir ao longo do desenvolvimento da história.

Mas o mais interessante no filme é a forma como ele é contado. Tudo passa pelo julgamento e as concepções de Bertrand, narrador do filme. Ele não toma parte da maioria das ações, contudo é a presença marcante do filme, que nos revela seus preconceitos, idéias, dúvidas, ou seja, a vida de um estudante em um determinado momento da sua vida a partir da exposição de seu pensamento, entrevisto na narração do personagem durante toda a história. É o famoso narrador-personagem, que não é, a princípio (apenas a princípio), o protagonista.

"A carreira de Suzanne" cumpre o papel de um conto moral, mas supera os estereótipos de uma história comum e querida no cinema daquela (ou a partir daquela) época ("Os cafajestes", que de igual modo supera qualquer estereótipo; o cinema francês etc), bem como dá ao gênero (se isso for um gênero) conto moral, um tratamento estético inovador.

sábado, 15 de dezembro de 2007

"Angélica", peça de Lúcio Cardoso

"Angélica", de Lúcio Cardoso, e pela primeira vez publicada no livro da editora UFPR, como falei na postagem anterior, estreou em 1950, sob a direção do próprio Lúcio Cardoso, tendo entre os atores Luiza Barreto Leite (só para se ter uma idéia, essa atriz, conforme Ruy Castro, atuou nas montagens originais de: "Vestido de Noiva", "Dorotéia", "A falecida", "Bonitinha, mas ordinária", todas de Nelson Rodrigues, que dizia que ela era incapaz tomar um copo de água sem paixão), que fez a protagonista.

Essa peça tem uma estória muito interessante e uma personagem, Angélica, fantástica, mas a ação é truncada, não é natural, os diálogos não são bons, sob o ponto de vista da encenação teatral. A impressão é que uma adaptação transformaria o texto em uma peça emocionante, porque como ele se apresenta, o texto, vemos antes uma obra literária mais próxima da novela do que da dramaturgia. Os dálogos não são naturais, são estáticos, parecem não fluir com naturalidade, e isso não é produto de um teatro que se quer denso ou desejoso em demonstrar a incomunicabilidade entre os personagens.
A estória, entretanto, como falamos, é emocionante, e se esquecermos que se trata, a princípio, de uma peça de teatro, podemos deixar de lado as falhas do autor em estabelecer a ação e vermos tudo como se fosse uma novela dialogada, acho que é possível.
Tudo se passa na casa de Angélica, numa cidade do interior, uma mulher de meia idade, muito rica e que vive cercada por dois empregados: Joana e Leôncio, este é um parente distante. Angélica tem o hábito de levar pra sua casa jovens moças órfãs, bonitas, mas muito debilitadas. Três dessas moças já morreram em sua casa, por conta, todas elas, de uma doença não diagnosticada e que faz com que suas enfermas acabem muito mal, feias, deformadas. Enquanto isso, Angélica continua cada vez mais bonita e jovem. Até que chega Lídia, outra moça para ser cuidada. entretanto, a estória vai ganhar outros contornos e Angélica terá em Leôncio um adversário.
Vocês pensaram em "O retrato de Dorian Gray"? É mais do que possível, mas aqui essa idéia é construída de outra maneira, até mais interessante, mas não tem um desenvolvimento tão bom quanto o dado por Oscar Wilde à sua estória. Talvez o problema foi ter pensado Lúcio Cardoso em fazer de "Angélica" uma peça, pois seu talento na prosa é superior.

O teatro de Lúcio Cardoso

Lúcio Cardoso (1912-1968), romancista primeiramente visto com indiferença, mas agora valorizado, com toda a justiça, basta ler "Crônica da casa assassinada" (1959) para se ter uma idéia do seu talento, ganhou uma edição com todas as suas peças teatrais.

Sim, Lúcio Cardoso também foi dramaturgo, bem como diretor de teatro, mas em ambas as situações não teve sucesso. O pr[oprio Lúcio admitia que não gostava de suas peças, e quando gostava, detestava as montagens, que não foram muitas.

As peças não só foram pouco montadas, como nunca foram publicadas em todo seu conjunto. Na verdade, só "O escravo" (edições de 1945; 1973) e "O filho pródigo" (edição de 1961) foram publicadas, todas as demais jamais estiveram disponíveis em livro, e algumas, até, nunca foram montadas, como "Os desaparecidos", "Prometeu Libertado", "Auto de Natal", as duas últimas possuem um só ato.

Diante de tudo isso, podemos ver a importância da edição, de 2006, da Editora UFPR, sob o título "Teatro reunido - Lúcio Cardoso", com posfácio muito interessante de Antonio Arnoni Prado. Essa obra reuniu pela primeira vez todas as peças de Lúcio Cardoso, que estava em seu arquivo (Arquivo Lúcio Cardoso) na "Casa de Rui Barbosa". No total, são seis peças em três atos: "O escravo" (encenada em 1943); "O Filho Pródigo" (montada em 1947); "A corda de prata" (1947); "Angélica" (1950); "O Homem Pálido" (1961); "Os Desaparecidos". E duas peças em um ato: "Prometeu Libertado"; "Auto de Natal".

Vale a pena para quem gosta de Lúcio Cardoso e para quem se interessa por teatro.
Só um porém, não se pode esperar do teatro de Lúcio Cardoso a mesma genialidade de seus romances ou novelas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Paulo Autran e Manuel Bandeira

Dica: Este poema de Manuel Bandeira, que já é ótimo, ficou ainda mais bonito na voz de Paulo Autran. Esta é uma forma de homenagear Paulo Autran.
O áudio pode ser baixado pelo e-Mule, é fácil.

Ah, esse blog vai ficar meio parado por um mês, por motivos alheios à sua vontade, são motivos de força menor do seu autor.

TESTAMENTO (Manuel Bandeira)

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

sábado, 27 de outubro de 2007

Preceitos filosóficos de um "adorável" obsessivo - Nelson Rodrigues

- Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.
- Amar é ser fiel a quem nos trai.
- O brasileiro é um feriado.
- No Brasil quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte. O Otto Lara está certo. O mineiro só é solidário no câncer.
- Num casal, pior que o ódio, é a falta de amor.
- Os que choram pouco, ou não choram nunca, acabarão apodrecendo em vida.
- Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
- Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.
- Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação.
- Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer.
- A família é o inferno de todos nós.
- Hoje, a primeira noite é a centésima, a qüinquagésima. O casamento já é uma rotina antes de começar.
- Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.
- O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.
- O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.
- A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.
- O brasileiro não está preparado para ser "o maior do mundo" em coisa nenhuma. Ser "o maior do mundo" em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.
- Há na aeromoça a nostalgia de quem vai morrer cedo. Reparem como vê as coisas com a doçura de um último olhar.
- Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.
- O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.
- Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.
- Nem toda mulher gosta de apanhar, só as normais.
- Não é possível amar e ser feliz ao mesmo tempo.

(Nelson Rodrigues)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Umutína

De 29/10 a 31/10 vai ocorrer na UFPE o XV Conic, com trabalhos (sessões orais e pôster) das mais diversas áreas, de Medicina à Lingüística. No dia 29/10, segunda-feira, às 15 hs, serão apresentados, em sessões orais, três trabalhos sobre a língua indígena Umutína (família lingüística Boróro; Tronco Macro-Jê), integrantes do projeto (iniciação científica) de elaboração do dicionário Umutína-Português. Os trabalhos tratarão da Fonologia, Morfologia e Sintaxe do Umutína, e serão apresentados por alunos de Letras da UFPE, sob a orientação da profª Stella Telles.

Juro que vai ser interessante, e olha que eu não sou suspeito pra falar desses trabalhos.

Sobre o XV Conic e sua programação: http://www.propesq.ufpe.br/xv_conic/index.html

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"Você passa, eu acho graça"

Esse samba, como muitos outros interpretados por Clara Nunes, é maravilhoso. Vale a pena.


"Você Passa Eu Acho Graça"
(Composição: Carlos Imperial/Ataulfo Alves)

Quis você pra meu amor
E você não entendeu
Quis fazer você a flor
De um jardim somente meu
Quis lhe dar toda ternura
Que havia dentro de mim
Você foi a criatura que me fez tão triste assim

Ah, e agora, você passa, eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor

Tanta volta o mundo dá
Nesse mundo eu já rodei
Voltei ao mesmo lugar
Onde um dia eu encontrei
Minha musa, minha lira, minha doce inspiração
Seu amor foi a mentira
Que quebrou meu violão

Ah, e agora, você passa, eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor

Seu jogo é carta marcada
Me enganei, nem sei porquê
Sem saber que eu era nada
Fiz meu tudo de você
Pra você fui aventura
Você foi minha ilusão
Nosso amor foi uma jura
Que morreu sem oração

Ah, e agora, você passa, eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Entre as flores, você era a mais bela
Minha rosa amarela
Que desfolhou, perdeu a cor

Na voz de Clara Nunes (ela antes fala um pouco da importância dessa música em sua carreira): http://br.youtube.com/watch?v=wyD5N9BHvQA

Na voz de Cássia Eller e Noite Ilustrada: http://br.youtube.com/watch?v=cpnhrY2YDUw

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Beleza aos poucos.

"A mulher e a casa" (em "Quaderna", 1960)
João Cabral de Melo Neto, que me perdoem os demais "poetas".

"Tua sedução é menos
de mulher do que de casa:
pois vem de como é por dentro
ou por detrás da fachada.

Mesmo quando ela possui
tua plácida elegância,
esse teu reboco claro,
riso franco de varandas,

uma casa não é nunca
só para ser contemplada;
melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la.

Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra;
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;

pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que de dentro guarda;

pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas;

os quais sugerindo ao homem
estâncias aconchegantes,
paredes bem revestidas
ou recessos bons de cavas,

exercem sobre esse homem
efeito igual ao que causas:
a vontade de corrê-la
por dentro, de visitá-la."

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Alberto da Cunha Melo

O poeta faleceu nesse final de semana e, para lembrá-lo, fiquemos com sua poesia:

O filho do fim (em "Meditação sob os lajedos" 2002)

"Enquanto a aventura do amor
distraí-lo do temporal,
o filho do fim, sem saber,
demora a sentir-se mortal,

mas se a morte surge-lhe, acesa,
a vida muda o prato, a mesa,

e o filho da voracidade,
como a criança come um doce,
vai comendo a imortalidade:

o céu possível, sua essência,
é só morrer nessa inocência."


I (em "Oração pelo poema" 1969)

"Escrevo de cabeça baixa
por que levantá-la depois?
Não o faça para ser visto
pelos que passarem na estrada.

Viver na mesma posição
mas deixando a alma sair
pelos olhos e pela boca,
como água a jorrar de uma estátua.

Este é o tempo em que Deus regressa
pelos quatro cantos da casa.
Vem desenterrar o poema
do meu corpo e gritar comigo.

Recebo-o diante do espanto
dos amigos que não o vêem,
tenho gestos incompreensíveis
e digo coisas já remotas:

Senhor, protege meu poema
e obscurece com tua sombra
os versos mortos, as palavras
que sobram, o tempo perdido."

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

ECLIPSE OCULTO
(Caetano Veloso)

Nosso amor não deu certo
Gargalhadas e lágrimas
De perto fomos quase nada
Tipo de amor que não pode dar certo
Na luz da manhã
E desperdiçamos os blues do Djavan.
Demasiadas palavras
Fraco impulso de vida
Travada a mente na ideologia
E o corpo não agia
Como se o coração tivesse antes que optar
Entre o inseto e o inseticida.
Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa qualquer em você
O que será?
Como nunca se mostra
O outro lado da lua
Eu desejo viajar
No outro lado da sua
Meu coração galinha de leão
Não quer mais amarrar frustração
No eclipse oculto na luz do verão.
Mas bem que nós fomos muito felizes
Só durante o prelúdio
Gargalhadas e lágrimas
Até irmos pra o estúdio
Mas na hora da cama
Nada pintou direito
É minha cara falar
Não sou proveito
Sou pura fama
Não me queixo...
Nada tem que dar certo
Nosso amor é bonito
Só não disse ao que veio
Atrasado e aflito
E paramos no meio
Sem saber os desejos
Aonde é que iam dar
E aquele projeto
Ainda estará no ar?
Não quero que você
Fique fera comigo
Quero ser seu amor
Quero ser seu amigo
Quero que tudo saia
Como som de Tim Maia
Sem grilos de mim
Sem desespero,
Sem tédio sem fim

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Maria Odette

(Capa do cd lançado em 2001 pela Inter Cd Records)

Famosa na década de 60, essa cantora não é mais lembrada pelo grande público, esqueceram-se dela, o que é lamentável. Maria Odette tinha (ela ainda está entre nós, mas a voz que conheço é a da década de 60) uma voz forte, afinada, clara; suas interpretações eram na medida, não exagerava, tinha domínio da técnica e da emoção, as usava com segurança, ela dominava quem a ouvisse (não são palavras de um especialista, mas de uma pessoa que adora música, apesar de ter sido desenganado como músico por um professor do Conservatório Pernambucano de Música).

Infelizmente ela nunca gravou um LP, só discos compactos (que comportavam no máximo, quando duplos, quatro músicas), mas em 2001 a “Inter CD Records” lançou um CD da cantora com quatorze músicas suas remasterizadas, cujo acervo foi recuperado por Hélio Rozenblit. Esse CD, encontrado por acaso em uma loja, me apresentou a essa cantora maravilhosa e, com certeza, é uma iniciativa louvável para a preservação da memória artística do nosso país. Quantas cantoras e cantores igualmente talentosos não foram esquecidos?

No CD, intitulado “Maria Odette”, encontramos as faixas: “Boa Palavra”, de Caetano Veloso, música por ela defendida no II Festival Nacional de Música Popular Brasileira (na TV Excelsior) em junho de 1966; além dessa de Caetano, tem: “É de manhã”, “Um dia”, todas belamente interpretadas por ela. Outros compositores conhecidos na época também estão presentes, como Vandré, Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle, Mirebau e Guarnieri (artista de vários talentos).

Mais informações: http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?nome=Maria%20Odette&tabela=T_FORM_A (dicionário Cravo Albin da MPB)
http://www.intercd.com.br/artista.php?id=41 (site da Inter CD Records)





sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Final de semana

Bem, eu não sou a pessoa mais indicada para dar esse tipo de dica, a "expert" nisso está morando agora em Teresina, mas, mesmo assim, tentarei:

- Vale a pena ir pra Bienal do Livro, iniciou hoje e vai até o dia 14 de outubro, é lá no Centro de Convenções e a entrada é gratuita (calma, não vamos apenas por causa disso);

- Pra descontrair, o melhor bar é o "Drive-in", sim aquele do Derby, não é muito caro e o serviço, quando os garçons atendem, é bom (brincadeira, é bom mesmo). O melhor petisco é macaxeira frita e a bebida, claro, cerveja (dica: sempre peça a mais barata, é sempre a mais gostosa);

- Pra dançar, vá ao "Amazonas", um restaurante que durante a noite vira algo no estilo de uma boate. Fica na rua da União (sim, a de Manuel Bandeira, até hoje não se sabe quem dá mais orgulho àquela rua, se o Manuel ou o "Amazonas"). Se não me falhe a memória, geralmente a gente fica sem ela quando sai da festa e não quando entra, o ingresso custa R$ 3,00, mulher não paga. Sente o clima!

- Um bar menos popular ( popular aqui no sentido sem grana da palavra), sim a classe alta também lê meu blog (na verdade acho que ninguém lê), com uma turma legal, é o "Quintal do Lima", fica na rua do Lima, Santo Amaro (não tem pei pei, com todo respeito à comunidade de Santo Amaro). Paga pra entrar, entre R$ 5,00 ou R$ 6,00. Domingo tem samba do bom a partir das 8 da noite.

- Pra terminar a noite, ou começar o dia, tem o cais de Santa Rita, onde você pode tomar a saideira e depois pegar seu ônibus. Dica: se for do sábado para o domingo, espere dar 5 da manhã, pois você só pagará meia passagem, se for estudante tanto faz, use seu passe fácil e curta o Bacurau.

P.s. Se você estiver meio deprê, é melhor não sair de casa mesmo não, ligue a Rádio Clube AM e fique escutando o programa "Túnel do Tempo". No outro dia vai acordar melhor, se não resolver, entra pra uma seita e se entrega.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Cinema romeno

"Caindo de amor" (Título original: "Legături bolnăvicioase"; já foi traduzido para o Brasil como: "Doentes de Amor"; para o inglês: "Love Sick"), filme romeno de 2006, direção de Tudor Giurgiu. Com: Maria Popistaşu (Kiki); Ioana Barbu (Alex); Tudor Chirilă (Sandu). Participou do 56° Festival de Berlim e do Festival de Cinema do Rio de 2006.

O filme mostra um triângulo amoroso formado por Kiki, sua amiga de faculdade Alex e o irmão da primeira, Sandu. Na mesma estória temos: relação homossexual, incesto e disputa amorosa. As interpretações são boas e os conflitos paralelos são bem construídos, como: cidade (Bucareste) Vs. interior (da Romênia); relações familiares, família de Alex (do interior, bem comportada, calmos, Kiki diz: parece que eles sempre tomam Prozac) Vs. família de Kiki e Sandu (que, com certeza, não toma Prozac. A cena na sala de jantar é interessante, um pouco batida, mas os atores são bons). Qual das duas famílias é mais saudável, "bem resolvida"? Talvez essas características não comportem família alguma, e isso não é novidade.
Não há nenhuma discussão sobre o incesto, a relação entre os irmãos não é questionada nem sofre julgamentos morais, ela só se mostra incômoda quando surge Alex na vida de Kiki, que vai para Bucareste, vinda do interior, para estudar.
Vale a pena assistir, não é um filme inesquecível (se quase todos fossem, só lembraríamos dos ruins), mas a abordagem sobre o incesto é bastante interessante. Ah, vale também prestar atenção na discussão entre Kiki e Alex sobre Chateaubriand e seu romance René (que também trata do amor entre os irmãos: René e Amélie).

Site do filme: http://www.legaturibolnavicioase.ro/ (tem informações em inglês e romeno).

Ah, alguém fala romeno?????

Frases

“Deus seja louvado!”
( Notas de R$ 1,00 )

“O segredo da grande arte é ser tão pessoal e estreita que, pela força do seu exclusivismo, fala com o mundo inteiro.”
( Paulo Francis )

“Uma vida completa talvez seja aquela que termina em tal identificação com o não-eu que não resta um eu para morrer.”
( Bernard Berenson, crítico de arte- citação traduzida por Clarice Lispector).

“Que belo pé de buceteiro!”
( Exclamação de Bafo de Bode ao ver Tieta- “Tieta do Agreste” de Jorge Amado ).

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Alfonsina Storni

La dulce visión

¿Dónde estará lo que persigo ciega?
-Jardines encantados, mundos de oro-
Todo lo que me cerca es incoloro.
Hay otra vida. Allí, ¿cómo se llega?

Un perfume divino el alma anega:
Olor de estrellas, un rosado coro
De Dianas fugitivas; el esporo
Viviente aún de la delicia griega.

¿Dónde estará ese mundo que persigo?
El sueño voluptuoso va conmigo
Y me ciñen las rosas de su brazo.

Y mientras danzo sobre el césped fino
Fuera del alma acecha mi destino
Y la Gran Cazadora mueve el lazo.

(Alfonsina Storni. 1892, Suíça - 1938, mar de Mar del Plata, Argentina)

Jabor, Nelson e "O Casamento"

Gosto muito dos filmes de Jabor (só dos filmes, porque seus comentários na Globo são deprimentes), mas fiquei decepcionado ao rever "O Casamento", baseado no romance homônimo de Nelson Rodrigues. Há uns 4 anos tinha visto o filme, lembro que gostei, mas quando revi achei um pouco acima do tom do bom e velho Nelson Rodrigues, muito exagerado, caricato mesmo. A interpretação de Camila Amado, faz a Noêmia, é ridícula, só superada pela dublagem mal feita.
Não li o romance, mas tenho a intuição de que Jabor exagerou um pouco. Sempre é difícil adaptar ou montar Nelson, ou se peca pelo exagero e a caricatura, ou pela vulgaridade. No fim, todos riem e deixam de apreciar um texto genial (digo isso pelas peças dele, que li, e as montagens e adaptações delas que já assisti), achando sempre que a culpa é de Nelson.
Não vi o mesmo exagero na outra adaptação de Jabor sobre uma peça de N.R.: "Toda nudez será castigada", aliás não há atriz mais perfeita para Geni do que Darlene Glória (Cleyde Yáconis, dizem, que também foi memorável, mas o teatro, eis o seu encanto, só sobrevive em seus espectadores, invejados mortais).
Por favor, alguém leu "O Casamento"? E o filme, viram?

Um pierrô apaixonado

Um Pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma Colombina
Acabou chorando,
Acabou chorando

A Colombina entrou no botequim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: Pierrô cacete
Vai tomar sorvete
Com o Arlequim

Um grande amor
Tem sempre um triste fim
Com o Pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute
Com amendoim

(Noel Rosa e Heitor dos Prazeres - 1936)